"Eu te amo calado, como quem ouve uma sinfonia
Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som
TEM CERTAS COISAS QUE EU NÃO SEI DIZER."
Puta que pariu, então por que diabos eu falo tanto? Sempre que falo, falo demais, falo o que não devo, não paro de falar, falo na hora errada. Talvez a conclusão a que devo chegar seja a mais simples possível: eu não sei lidar com o silêncio. O silêncio é incerto, é materialmente tão vazio, mas tão cheio de perguntas sem resposta. É como se fosse uma lacuna entre duas sentenças, a anterior e a que está por vir, a impressão de um mundo que já passou e o que vai chegar - e claro, o espaço devidamente não preenchido por demarcações voluntárias.
Pensando em circusntâncias mais pessoais - eu sabia que isso ia acontecer,não consigo me isentar- talvez eu tema que o silêncio nos torne mais distantes. Não sei, parece um espaço temporal ocioso, um momento desperdiçado em que eu deixo de dizer coisas que eu penso e sinto. Um momento que não tem volta- não há como clonar momentos. Um momento em branco em que meu interlocutor deixa de saber de mim, mesmo que tão brevemente.
Mas sei lá, dia após dia eu venho observando que, de repente, esse interlocutor não queira saber tanto assim de mim - pelo menos tão de mão beijada. Quem sabe ele queira aproveitar este silêncio, este intermezzo transparente que eu, pessoa tão ávida por falar de si que acaba sendo inconveniente lhe concedo, para esperar um pouco e dar pequenas pistas, ainda que discretas ou obscuras de si mesmo para que eu decifre. Talvez ele, à sua maneira, também queira a sua vez de se desnudar. Talvez ele queira ter o prazer de me descobrir aos poucos, catando informações mais espontâneas advindas - advinhe de onde- do meu silêncio.
Porque nem sempre as pessoas querem nos receber de graça. Às vezes, elas querem nos desbravar,brincar de caça e caçador, e é um direito - e uma diversão. Têm simpatia pelas brumas do mistério. Não vêem graça naquilo que é explícito, e é sabido que quem se expõe demais está sempre mais vulnerável, e corre o risco de parecer superficial.
Em momento nenhum quero parecer superficial, porque não o sou. Talvez seja tagarela por ser meio insegura, sei lá. Talvez esteja tentando induzir uma troca - que nem sempre acontece, o que me deixa ainda mais insegura (e mais tagarela). "O que eu preciso fazer pra essa criatura abrir a boca?", penso eu. Bem, deve ser o silêncio.
Words are very unnecessary, they can only do harm. Enjoy the silence.
Tem certas coisas que eu não sei dizer.
Por favor, me diga!
sábado, 9 de fevereiro de 2008
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Um comentário:
"e é sabido que quem se expõe demais está sempre mais vulnerável, e corre o risco de parecer superficial."
Mas não esqueça que quem se esconde muitas vezes, para não dizer sempre, acaba olhando para traz com um pesar, pois o E SE? fica atravancando as possibilidades do futuro.
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