domingo, 7 de setembro de 2008

Em memória de Cristina Rosito Marquardt, minha mestra, amiga, musa. Minha companheira nas tardes de terça-feira, e mais tarde,nas de quinta-feira também.
Uma das mais preciosas peças que compõem o mosaico da minha vida.
Celebro a tua vida através, por enquanto, de versos que não são meus. Mas em breve, tomarei coragem de expor alguma coisa que tenha sido feita no meu coração.

Love in the Afternoon - Renato Russo

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais.

Quando eu lhe dizia:
"- Me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada."
Você sorriu e disse:
"- Eu gosto de você também."

Só que você foi embora cedo demais

Eu continuo aqui,
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
Um dia de chuva, um dia de sol
E o que sinto não sei dizer.

Vai com os anjos! vai em paz.
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez.

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais

E cedo demais
Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu, que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer.

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que este ano
O verão acabou
Cedo demais.

The Show Must Go On - Queen

Empty spaces - what are we living for
Abandoned places - I guess we know the score
On and on, does anybody know what we are looking for...
Another hero, another mindless crime
Behind the curtain, in the pantomime
Hold the line, does anybody want to take it anymore
The show must go on
The show must go on, yeah
Inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on
Whatever happens, I'll leave it all to chance
Another heartache, another failed romance
On and on, does anybody know what we are living for ?
I guess I'm learning (I'm learning learning learning)
I must be warmer now
I'll soon be turning (turning turning turning)
Round the corner now
Outside the dawn is breaking
But inside in the dark I'm aching to be free
The show must go on
The show must go on, yeah yeah
Ooh, inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on
Yeah yeah, whoa wo oh oh
My soul is painted like the wings of butterflies
Fairytales of yesterday will grow but never die
I can fly - my friends
The show must go on (go on, go on, go on) yeah yeah
The show must go on (go on, go on, go on)
I'll face it with a grin
I'm never giving in
On - with the show
Ooh, I'll top the bill, I'll overkill
I have to find the will to carry on
On with the show
On with the show
The show - the show must go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on.

Com carinho, até o fim.

sábado, 29 de março de 2008

Quando as pessoas criam asas.

Quando as pessoas voam. E para longe. Mas não para outra dimensão – menos mal, partem para longe do nosso abraço. As pessoas não voam deliberadamente. Elas encontram propulsão em alguma força, conhecida ou não. Seja essa um motivo ou uma motivação. Elas tiram forças de onde sequer imaginavam que possuíam para realizar os projetos incrustados na sua mente, desatrofiam as asas em dois toques quando querem descobrir a própria paz, distantes de seu recanto original. Elas partem e nós ficamos onde estamos, sem saber se recebemos com dádiva a nova direção que tomaram suas vidas ou nos deixamos ficar paralisados, amedrontados e perplexos pela possibilidade do “sabe-se lá quando”. “Sabe-se lá quando” é muito longe! Sabe-se lá quando eu te verei de novo, sabe-se lá quando terei o calor do teu abraço novamente, tuas palavras de conforto ou as nossas risadas se fundindo. Pof! Um pedaço de mim foi embora dentro da sua mochila.
Resta apenas te desejar coragem nos momentos de força e sorte nos teus momentos de fraqueza, já que é muito tarde para dizer “não vá embora” e para você, é muito cedo que eu deseje “volte logo”.
Só nos resta viver.

quarta-feira, 5 de março de 2008

um dia atípico

Ah, quem dera se todos os dias fossem atípicos. E quem dera se todos os dias atípicos fossem como hoje. Um dia que nasceu como mais uma criança, no meio de bilhões semelhantes,mas que, por razões que a razão não racionaliza, se fez diferente, especial nas suas minúcias.
Quem dera se todos os dias tivessem o calor do abraço de um perdão, o perfume inovidável de uma antiga paixão e até o som tímido de um novo violão.
Redescobrir, rememorar, aprender.
Um dia atípico, deo gratias!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

SILÊNCIO!

"Eu te amo calado, como quem ouve uma sinfonia
Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som
TEM CERTAS COISAS QUE EU NÃO SEI DIZER."


Puta que pariu, então por que diabos eu falo tanto? Sempre que falo, falo demais, falo o que não devo, não paro de falar, falo na hora errada. Talvez a conclusão a que devo chegar seja a mais simples possível: eu não sei lidar com o silêncio. O silêncio é incerto, é materialmente tão vazio, mas tão cheio de perguntas sem resposta. É como se fosse uma lacuna entre duas sentenças, a anterior e a que está por vir, a impressão de um mundo que já passou e o que vai chegar - e claro, o espaço devidamente não preenchido por demarcações voluntárias.


Pensando em circusntâncias mais pessoais - eu sabia que isso ia acontecer,não consigo me isentar- talvez eu tema que o silêncio nos torne mais distantes. Não sei, parece um espaço temporal ocioso, um momento desperdiçado em que eu deixo de dizer coisas que eu penso e sinto. Um momento que não tem volta- não há como clonar momentos. Um momento em branco em que meu interlocutor deixa de saber de mim, mesmo que tão brevemente.

Mas sei lá, dia após dia eu venho observando que, de repente, esse interlocutor não queira saber tanto assim de mim - pelo menos tão de mão beijada. Quem sabe ele queira aproveitar este silêncio, este intermezzo transparente que eu, pessoa tão ávida por falar de si que acaba sendo inconveniente lhe concedo, para esperar um pouco e dar pequenas pistas, ainda que discretas ou obscuras de si mesmo para que eu decifre. Talvez ele, à sua maneira, também queira a sua vez de se desnudar. Talvez ele queira ter o prazer de me descobrir aos poucos, catando informações mais espontâneas advindas - advinhe de onde- do meu silêncio.

Porque nem sempre as pessoas querem nos receber de graça. Às vezes, elas querem nos desbravar,brincar de caça e caçador, e é um direito - e uma diversão. Têm simpatia pelas brumas do mistério. Não vêem graça naquilo que é explícito, e é sabido que quem se expõe demais está sempre mais vulnerável, e corre o risco de parecer superficial.

Em momento nenhum quero parecer superficial, porque não o sou. Talvez seja tagarela por ser meio insegura, sei lá. Talvez esteja tentando induzir uma troca - que nem sempre acontece, o que me deixa ainda mais insegura (e mais tagarela). "O que eu preciso fazer pra essa criatura abrir a boca?", penso eu. Bem, deve ser o silêncio.
Words are very unnecessary, they can only do harm. Enjoy the silence.
Tem certas coisas que eu não sei dizer.
Por favor, me diga!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Fênix

Você tem um poder invejável. Quisera todo ser humano ter a dádiva de renascer. Você já se perguntou quantas vezes levantou da mansão dos mortos e voltou à vida? Já quis saber? Você já morreu tantas vezes que até perdi a conta. Eu vi você desvanecer por si só. Eu mesma te matei, várias vezes, mas você reaparece sem marcas, como um mutante que se regenera,que fagocita as armas que uso. Apareceu, fui pega de surpresa. Mas quis te ter de volta, e você viveu, e me fez viver. Porém, apesar das chances,você erra. Sempre erra, pois aquele que sangra, sente, sofre,respira,come e pensa sempre erra. E eu sou cruel,não aceito seus erros. Ou os seus, ou os meus, não há espaço para dois pecadores. Os seus erros não me interessam, e quero que erre bem longe de mim. Não quero vê-los.A minha dor em sabe-los ou desconfiar deles é muito maior do que a sua, a sua dor em ter de escondê-los.
A sua morte acontece quando eu pressinto o seu erro. Não há perdão. Devo me defender, não quero que você me fira.No entanto existe uma necessidade tão forte de você, não sei ao certo por que– se soubesse, não permitiria- que passado o tempo da distância, você retorna com o corpo intacto, como se nada lhe tivesse acontecido, e você volta pra mim, e eu deixo você entrar na minha morada fixa novamente, me invadir, me sugar todas as energias. Você também vive de mim, eu percebo. E por isso renasce. Você me usa para se recarregar. Você usa os meus instrumentos de sobrevivência para ter a vida eterna – talvez aqui eu esteja te eternizando, enquanto tento sobreviver.
Só você tem a chave da sua própria vida. Só você pode decidir quando quer morrer por definitivo. Eu não posso. Toda vez que tento te matar, você me desfere golpes poderosos, que vão me matando lentamente. Você se refaz das cinzas. Você se esquiva do destino justo. Você teria orgulho, ou talvez lisonja, quem sabe até pavor se soubesse, ao menos desconfiasse, quantas vezes nasceu e morreu, dentro de mim
.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

la strada


Ele, cineasta, capricorniano, dono de uma lente imaginativa e perspicaz, observador e crítico.
Ela, atriz, pisciana, de espírito alegre e grandes e expressivos olhos, cativante e meiga.
Este poderia ser mais um caso de um diretor que se envolve com uma atriz. Mas deve-se levar em conta que este diretor é Federico Fellini e a atriz em questão é Giulietta Masina. Quem assistir filmes como o clássico "La Strada" poderá constatar, existia uma sintonia total entre o observador e aquela que se exibe, ela se sentia totalmente à vontade diante da câmera por ele regida, e ele, por sua vez, conseguia captar todas as nuances transmitidas por ela em sua performance. Eles se complementavam. Artística e afetivamente.Eles se conheceram em 1942 e, um ano depois, em 1943, se casaram e permaneceram juntos até a morte de Fellini, em 1993. Giulietta morreu no ano seguinte.
Federico e Giulietta, criador e musa, marido e mulher, amantes e companheiros, conciliando o mundo de fantasia do criar cinematográfico, em que ela assumia a forma de todas as mulheres que ele poderia amar, diante das lentes, com a realidade de esposa e companheira doméstica, que representava a figura feminina que ele realmente amava.
Às vezes a fantasia complementa a realidade, servindo de sal, mas em momento nenhum deve tomar o seu lugar. Deve ter sido óbvio para Fellini se encantar e se apaixonar por uma figura tão doce, carismática e expressiva quanto Giulietta, assim como deve ter sido fácil para Giulietta admirar e então amar um homem de criatividade e inteligência tão distinta quanto Fellini, que ainda fez dela sua musa, homenageando-a cada vez que esta interpretava as "mulheres" do cineasta. Afinal de contas, todas estas estavam sintetizadas numa só, e nada mais natural que ele quisesse tê-la ao seu lado, ao invés de apenas no campo da imaginação.
A idealização e a vivência têm seus lugar certo para existirem.Porém, como se pode ver pelo casal referido, benditos aqueles que podem viver com alguém que torne sua vida um eterno criar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

tratado sobre o amor

O amor humano, terreno, possível, passível de ser vivido é baseado no querer.
O querer humano é guerra, é sangue, é egoísta, é possessivo, tão vil e no entanto, tão belo, pois leva qualquer indivíduo ao limiar de suas forças, sejam essas físicas ou psicológicas, seja o seu objetivo viável ou não.
Aquele que espera que o amor seja sublime como o agir dos anjos não ama. O altruísmo nada mais é que a esperança da recompensa. O altruísmo por amor? Altruísmo? Isto não é humano. Um ser humano não tem a obrigação de ter "sentimentações" tão elevadas, pois isso é da sua natureza, e a esta ele deve ser fiel, pois tudo o que faz é no compasso do perecimento da sua própria carne.
Aquele que abre mão do seu amado por "altruísmo" ou qualquer outra vã denominação, não ama, pois se amasse não abriria mão. Aquele que ama abate ou é abatido na guerra, não há escapatória. Amor é persistência, é crença cega, é fundamentalismo. O desapego presume derrota, o perecer de um objetivo concreto por rendição.
Aquele que ama quer pra si o que lhe parece belo em meio ao feio, mesmo ele mesmo torne o resto feio, com a feiúra das suas atitudes.
O ser humano é guiado por Marte, e mesmo Vênus cede a este os seus desígnios.
Quem quer amar como os anjos, ou ser amado por um, que vá para o céu.