domingo, 16 de setembro de 2007

nota de abertura

Eis o meu desjejum, depois de tanto tempo de hiato. Não vim,portanto, para falar de maldade,nem tampouco de resignação. Saí da minha reclusão, para enfim falar de esperança.Não fui acometida por inércia, e sim por reflexão, solitária,dolorosa, mas sábia.Tenho pretensões bastante ambiciosas.Usar as lágrimas que derramei nestes últimos meses para regar e semear os frutos de uma nova vida. Não me desfiz totalmente do passado, mas estou indo cada vez mais longe deste, a passos largos, a medida que estas vão cedendo.
Não ganhei um coração novo em folha, este coração que bate em meu peito é sobrevivente e testemunha de um sem-fim de dores e desengano, mas nem por isso ele deveria se recusar a bater. E já que ele cumpre sua função e me ajuda a viver, me resta desejar que não entremos mais em descompasso, pelo menos não com tanta frequência.
Eu quero sentir a minha vida como um final de tarde,quando o sol dá as caras depois de dias inteiros de chuva, deixando o céu, as calçadas e as paredes dos prédios avermelhadas. Cores vibrantes, risadas e passeios a pé pelas ruas da cidade, observando os prédios, os rostos e os ânimos e o contraste da luz solar que vai ficando alaranjada.
Dormir bem à noite, acordar de manhã cedo, rever os amigos e fazer o que gosto. Sentar num banco e rir das minhas desgraças, esticar as pernas e pensar nas alegrias ( e me preparar para novas desgraças - por que não?).
E assim sucessivamente. Não fico desapontada ou aborrecida com este ciclo. Vou tratar de fazer a diferença nas minúcias.
Eu estou viva, afinal de contas.

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